Nós temos tantos tesouros e acabamos usando-os como enfeites de jardim

Por Patrick Dalton para o Time Out London

Como um londrino nascido e criado na capital, eu sinto que tenho um certo direito de ignorar muitas das maravilhas que esta cidade contém. Uma atitude blasé em relação à riqueza cultural da capital é um pré-requisito para ser um londrino bem adequado.

Considere isto – ao lado oposto da estação de metrô de Embakment está um obelisco egípcio que possui mais de 3.500 anos de idade. Isso é 1.500 anos mais velho do que Londres. Somente os operadores turísticos de barcos dão a mínima atenção a ele. Em qualquer outra cidade (exceto talvez Cairo) este obelisco seria um grande negócio. Mas não aqui. Nós casualmente o colocamos ao lado de uma estrada movimentada e deixamos décadas de chuva ácida a corroê-lo suavemente. Por quê? Porque nós somos Londres e temos uma riqueza tão embaraçosa de tesouros que podemos dar ao luxo de usar alguns deles como ornamentos de jardim gigantes.

Tanta história humana foi falsificada nesta cidade e tantas figuras notáveis ​​passaram por isso que é possível caminhar por uma rua no Soho e ver a casa onde John Logie Baird demonstrou pela primeira vez a sua invenção razoavelmente popular chamada ‘televisão’, em seguida, a apenas alguns metros, um prédio onde Mozart viveu. Essas pessoas mudaram o mundo: sem Baird teríamos nenhuma maneira de organizar a nossa mobília, e sem Mozart nós não seríamos capaz de fazer chamadas para o helpdesk da BT Infinity. Uma pequena parte de uma rua de Londres tem mais história do que algumas cidades inteiras – e nós temos milhares delas! Você não consegue isso em Birmingham.

O problema, porém, é que há muito dessa história em todos os lugares que ele não pode competir com novidades como tendas de álcool a vapor e encontros blindados românticos. É, deixou de ser especial para nós porque vemos isso o tempo todo. É bom saber que está lá, mas, francamente, nós temos outras coisas para fazer. Nós temos que se preocupar com as pequenas coisas: atrasos de trem, o que comer para o almoço, se podemos dar ao luxo de continuar a viver aqui. É divertido para desperdiçar uma hora observando os bandos de turistas que fazem pose em frente ao Big Ben, a considerá-los com um certo desdém, um escárnio cansado do mundo, mas nos esquecemos de que se nós formos transportados para seus países, os papéis seriam invertidos e nós nos tornaríamos os turistas de queixo caído, olhando com atenção e com máquinas fotográficas na mão.

Para agitar as coisas um pouco neste fim de semana, faça algo que um verdadeiro londrino jamais sonharia. Vá para todos os lugares em um grande grupo, vestindo suas mochilas, bloqueando as escadas rolantes, antes de pegar um ônibus para St Paul´s. Ou faça algo realmente extremo, como patrocinar um daqueles carrinhos de cachorro-quente que magicamente aparecem fora das estações de metrô após sua quinta cerveja.

Esta cidade é sua: chegue nela e descubra-a!

Ou não. Tanto faz.

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